San José, Costa Rica – Mais de 700 mil vidas poderiam ser salvas no território brasileiro nas próximas décadas com o direcionamento correto de recursos para o setor médico. É o que aponta o recorte nacional do levantamento internacional intitulado A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes, divulgado durante um encontro na capital da Costa Rica.
Brad Herbig, diretor de dados de saúde da instituição responsável pela análise, defende que o volume de capital injetado precisa vir acompanhado de estratégias comprovadamente eficazes. O especialista reforça que a aplicação deve priorizar ações com o melhor resultado proporcional ao custo, fundamentadas estritamente em evidências científicas.
Para mensurar os reflexos econômicos e sociais, o estudo esmiuçou cerca de 300 intervenções voltadas a combater 90 enfermidades distintas e 27 fatores de risco específicos. Esse conjunto abrange desde iniciativas preventivas direcionadas a indivíduos ou populações inteiras até métodos terapêuticos avançados.
No cenário brasileiro, a projeção indica que a adoção dessas medidas elevaria a expectativa de vida da população em cinco anos, alcançando a marca de 85 anos. Além disso, os cidadãos passariam a viver uma média de 76 anos com plena saúde, o que representa nove anos a mais em comparação com os índices atuais.
O retorno financeiro também se destaca nas projeções estatísticas calculadas pelos pesquisadores. A estimativa aponta que cada dólar aplicado em frentes eficientes de tratamento e prevenção acrescenta 2,1 dólares ao Produto Interno Bruto nacional, impulsionado principalmente pelo ganho geral de produtividade e pela redução drástica no adoecimento precoce.
A maior fatia desse impacto positivo no país, equivalente a 59%, origina-se de frentes preventivas. Entre as medidas fiscais com maior peso geral está a taxação extra voltada a desestimular o consumo de tabaco, álcool e alimentos ultraprocessados. No âmbito individual, ganham destaque o monitoramento da pressão arterial e o controle rigoroso da obesidade.
Já no campo terapêutico, o combate adequado ao câncer lidera o potencial de transformação, seguido pela distribuição de medicamentos psiquiátricos e a modernização de insumos hospitalares. O relatório também projeta quedas expressivas em perdas por enfermidades crônicas e transtornos mentais até o ano de 2050.
No panorama regional da América Latina, o cenário exige atenção redobrada devido ao envelhecimento populacional acelerado e às altas taxas de obesidade. Os países da região investem em média 3,7 por cento de seus produtos internos brutos na área, enquanto nações mais ricas chegam a quase o dobro, evidenciando um abismo financeiro que drena a economia local.












