Caracas, Venezuela – O governo interino da Venezuela, sob o comando de Delcy Rodríguez, anunciou nesta sexta-feira (28) a assinatura de um acordo estratégico com os Estados Unidos voltado à exploração petroleira. A iniciativa, descrita por Caracas como um marco na relação bilateral, visa a recuperação da indústria nacional de hidrocarbonetos e projeta um aporte superior a US$ 100 bilhões de dólares em investimentos privados, com uma estimativa de arrecadação fiscal que pode ultrapassar a marca de US$ 209 bilhões para o Estado venezuelano.
O plano central do protocolo envolve o desenvolvimento de 17 campos estratégicos que, segundo o governo, possuem um potencial comprovado de 65 bilhões de barris de petróleo. A meta declarada é consolidar a Venezuela como uma potência energética produtiva, utilizando suas reservas — que totalizam 303 bilhões de barris, cerca de 17% da oferta global — para fomentar o crescimento econômico, criar empregos e modernizar uma infraestrutura atualmente defasada.
A formalização deste pacto ocorre meses após um período de instabilidade política sem precedentes. Em janeiro de 2026, o então presidente Nicolás Maduro foi detido em uma operação militar conduzida pelo Exército dos Estados Unidos e removido do país. Desde a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ambos mantidos em uma unidade federal no Brooklyn, em Nova York, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a liderança do Executivo venezuelano.
Do lado americano, Donald Trump celebrou o entendimento como o maior negócio de petróleo da história mundial. O movimento é visto por analistas como uma resposta à necessidade de Washington em recompor suas reservas estratégicas, que sofreram uma redução superior a 100 milhões de barris desde o início de 2026, atingindo um patamar inferior a 300 milhões de barris em agosto. A pressão econômica é agravada pelos desdobramentos da guerra no Irã, que já dura seis meses.
Apesar da abundância das reservas venezuelanas, o país enfrenta limitações severas devido ao sucateamento de sua infraestrutura produtiva, respondendo hoje por apenas 1% do mercado mundial de crude. No entanto, o governo local demonstra otimismo: dados recentes apontam que a produção atual chegou a 1,23 milhão de barris diários, o maior índice desde fevereiro de 2019, sugerindo uma tendência de retomada que o novo acordo pretende acelerar.
A reaproximação diplomática, consolidada em março, levanta questionamentos sobre as articulações que antecederam a queda de Maduro. Acusado pelos Estados Unidos de liderar o suposto cartel De Los Soles, Maduro teve sua detenção comparada por críticos à invasão do Panamá em 1989, quando Manuel Noriega foi capturado sob alegações de narcotráfico. A ação militar contra o líder venezuelano, na época, foi alvo de críticas formais do Brasil e de outros países, além de ter sido questionada por parte da imprensa internacional por sua legitimidade e riscos geopolíticos.









