Cachoeiro do Itapemirim (ES) – A Cachoeiro Stone Fair chegou ao terceiro e último dia confirmando o que sustenta sua trajetória há mais de três décadas: a capacidade de reunir, num mesmo espaço, produtores de rochas, fabricantes de máquinas e insumos, marmoristas, arquitetos, compradores e distribuidores nacionais e internacionais em torno de negócios concretos.
Foram 14.752 visitantes, vindos de 25 países, e mais de 200 marcas expositoras. Ao longo dos três dias, ficou evidente uma percepção compartilhada entre expositores e entidades do setor — a de que reduzir a duração do evento tornou a feira mais objetiva e concentrada num público profissional, disposto a negociar.
“Os expositores expressaram alta satisfação com os resultados. Tivemos uma feira mais enxuta, organizada e eficiente para a prospecção de negócios. O público veio com foco muito claro em negociação”, avalia Bismarck Bachiete, presidente do Sindirochas.
Rafael Acipreste, diretor da Milgran, já soma mais de dez participações no evento e enxerga nele algo que vai além de uma feira de exposição. A empresa se prepara com antecedência, leva clientes até as fábricas e trata o evento como parte de uma estratégia comercial que combina relacionamento, experiência e conversão. “Para quem não acredita que feira vende, nós vendemos na feira. Agosto, quando acontece a Cachoeiro Stone Fair, geralmente é um mês recorde de vendas para a Milgram”, afirma. Considerando o período pré-feira, os três dias de evento e o pós-feira, a empresa estima ultrapassar R$ 8 milhões em negócios entre os mercados nacional e internacional.
O volume de visitantes qualificados também chamou atenção de Tales Machado, presidente da Centrorochas. Segundo ele, o primeiro dia — que em anos anteriores tinha caráter mais institucional — já começou com presença expressiva de público, e a esperada queda de movimento no encerramento não se confirmou como de costume. “Mantivemos um movimento constante e de alto nível, com a presença de diversos profissionais e clientes qualificados. Em conversas com outros empresários, percebi um sentimento geral de satisfação e a concretização de inúmeros negócios”, destaca.
Novas aplicações e materiais ganham espaço
Se a tradição é um dos ativos da feira, a inovação é o que a move a cada edição. Novas pedras, lançamentos de equipamentos e insumos e — sobretudo — novas formas de aplicar materiais já consagrados marcaram esta edição.
A Superclássico, por exemplo, apresentou uma nova versão do Matrix, material com mais de 23 anos de história e presença consolidada no mercado internacional. Tradicionalmente associado a fachadas e pisos, o produto ganhou nesta edição um esforço de ampliar sua percepção de uso. “Nosso objetivo é mostrar a versatilidade do Matrix para bancadas, áreas gourmet com churrasqueiras, já que o material suporta altas temperaturas e permite acabamentos como o escovado, que é uma tendência estética forte. Aqui o arquiteto, o designer e o cliente podem tocar o material, sentir a textura e conhecer a qualidade. Essa interação fortalece as relações comerciais”, explica Cristovão Altoé de Angeli, diretor comercial da empresa.
Na Magnitos, a aposta foi nos materiais de maior demanda — o quartzito Vancouver e o granito Atlas. Para Marcelle Magnago, CMO da empresa, o resultado mais relevante está na qualidade dos contatos gerados: “O saldo é muito positivo, com um fluxo de visitantes extremamente qualificado. Percebemos que quem veio este ano estava genuinamente interessado no setor e em negociações, o que elevou o nível das interações.”
Já na Iven Stone, o objetivo era ampliar o reconhecimento da marca fora de São Paulo. Segundo Daniel Ades, muitos dos clientes em potencial recebidos na feira já haviam visitado o novo showroom da empresa em Cachoeiro, e negociações concretas já haviam sido fechadas. “Alcançamos os objetivos traçados e estamos muito satisfeitos”, resume.
Tecnologia acelera a transformação da indústria
Nos estandes de máquinas, equipamentos e insumos, a evolução tecnológica ganhou protagonismo próprio. Fabricantes trouxeram soluções voltadas à produtividade, à precisão, à redução de perdas e à sustentabilidade dos processos industriais.
Para Márcio José Migliavacca, CEO da Rexfort, a feira é estratégica justamente por aproximar a indústria das necessidades reais do mercado. “É uma oportunidade fundamental para apresentar avanços em maquinário, tecnologia e inovação. A diversidade geológica do Brasil exige soluções cada vez mais adaptadas, e o evento é um palco essencial para demonstrar essas tecnologias e fortalecer o relacionamento com clientes e parceiros.”
A Cobral, presente desde a primeira edição da feira, apresentou o CD Premium e lançou o Abrazil prensado — produzido a partir de tecnologia chinesa adquirida pela companhia. “A Cachoeiro Stone Fair é uma vitrine para inovação. Cachoeiro é o berço das pedras, o epicentro do nosso mercado. Estar aqui é fundamental para compartilhar novas tecnologias que contribuem para o desenvolvimento de todo o setor”, diz Carolina Gonçalves, da área comercial e de marketing da empresa.
Blocos brutos impulsionam negócios na Rua de Blocos
Um dos espaços de maior impacto visual e comercial da feira, a Rua de Blocos, reforçou a importância de apresentar a rocha ainda em sua forma bruta — aproximando o comprador da origem do material.
A MGA levou 19 blocos e estima ter movimentado entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão em negócios. Para o CEO Luiz Alberto Altoé, a exposição permite que o cliente perceba características que passam despercebidas quando a pedra chega já beneficiada em chapa. “Quando o cliente vê o bloco, consegue conhecer a pedra como ela realmente é, desde a origem, na forma bruta, e entender melhor todo o potencial daquele material.”
A estratégia também rendeu resultados expressivos para a Marbrasa. A empresa levou sete blocos — entre quartzitos, granito e mármores, com valores de até R$ 160 mil cada — e já contabilizava cinco vendas concretizadas, além de duas negociações em fase final. “Conseguimos atingir diferentes públicos. Muitos clientes já conhecem a Marbrasa, mas também temos pessoas que chegam, veem os blocos e passam a conhecer nossos produtos”, conta Bruno Nascimento, coordenador de vendas da empresa.

Rodada de negócios aproxima compradores internacionais dos fornecedores brasileiros
A internacionalização também esteve no centro do Projeto Comprador, que promoveu encontros entre empresas brasileiras e compradores de diferentes mercados — dando a eles a chance de conhecer não só os produtos, mas as pedreiras, fábricas e processos de beneficiamento.
Foi o caso da polonesa Katarzyna Soltysia, da Magma, que importa materiais brasileiros há oito anos e participou pela primeira vez da Cachoeiro Stone Fair. Interessada principalmente em quartzitos, ela avaliou novos materiais para o mercado polonês. “Encontrei alguns materiais novos que acredito que poderiam funcionar no mercado polonês. O Revolution, por exemplo, chamou minha atenção por sua tonalidade avermelhada. Não temos nada parecido em estoque atualmente e acredito que seria interessante testar. Materiais da linha Alpino e similares também têm boa aceitação no meu país”, destaca.
Do México, Hayari Ballesteros, da Stonehaus, soma 16 anos de atuação no setor e também avaliou positivamente a experiência. “Estamos muito acostumados aos materiais mais comerciais e conhecidos. Mas, ao conhecer melhor a dimensão do mercado brasileiro, percebemos que existe uma variedade muito maior de materiais e possibilidades. Para cada cliente e cada projeto existe uma oportunidade”, afirma.
Feira como catalisadora de negócios e reconhecimento
A qualificação do público foi citada por diferentes empresas como um dos principais diferenciais desta edição. Para Cadu Maia, diretor comercial da Nebrax, a feira funciona menos como um espaço de fechamento imediato de vendas e mais como catalisadora de negócios construídos a partir do relacionamento. “Os estandes dos expositores estão cada vez mais sofisticados, focando menos na exposição bruta do material e mais na experiência de aplicação, nas inovações cromáticas e na vivência proporcionada. Quando o expositor investe estrategicamente em seu posicionamento e o público apresenta uma qualificação superior, temos a sinergia perfeita.”
Esse investimento em estandes teve reconhecimento formal na premiação Conexões que Move, decidida por voto popular dos visitantes em três categorias. A Monte Negro venceu as três — melhor stand de rochas naturais, melhor experiência para o visitante e stand mais criativo. A Aço Art levou o prêmio de Melhor Stand de Máquinas e Tecnologias, e a própria Nebrax venceu na categoria Melhor Stand de Insumos e Soluções.
Para a Milanez & Milaneze, realizadora do evento, é esse movimento de inovação e criatividade repetido a cada edição que explica a longevidade da feira ao longo de mais de 35 anos — período em que ela acompanhou as mudanças da indústria, incorporou novas tecnologias e ampliou sua presença internacional. “Encerramos esta edição com a certeza de que a Cachoeiro Stone Fair segue evoluindo junto com o setor. O público qualificado, a presença de todos os estados brasileiros, expressivo público internacional e a geração de negócios mostram que, após mais de três décadas, a feira continua sendo um importante ponto de conexão, inovação e oportunidades para toda a cadeia da indústria de rochas naturais”, diz Flávia Milaneze, CEO da empresa.
A próxima edição da Cachoeiro Stone Fair já tem data marcada: de 24 a 26 de agosto de 2027.
Serviço
Cachoeiro Stone Fair 2026
Data: 25 a 27 de agosto de 2026
Local: Cachoeiro de Itapemirim (ES)
Credenciamento: www.cachoeirostonefair.com.br
Sobre a Cachoeiro Stone Fair
Realizada desde 1989 em Cachoeiro do Itapemirim (ES), a Cachoeiro Stone Fair é considerada uma das principais feiras do setor de rochas ornamentais. É realizada pela Milanez & Milaneze, uma empresa do Grupo Veronafiere, e promovida pelo SindiRochas, Cetemag e Centrorochas.
Realização: Milanez & Milaneze
Promoção: Sindirochas | Cetemag | Centrorochas
Patrocínio Ouro: Sicoob Credirochas
Patrocínio Prata: Banestes | Findes Sesi Senai
Patrocínio Bronze: Bandes Investimento
Apoio Institucional: Confea Crea-ES Mútua | Sebrae ES | Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim













