Brasília (DF) – Um investimento de R$ 130 milhões está sendo mobilizado pela Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para neutralizar os efeitos do recente cerco tarifário imposto pelos Estados Unidos. O projeto, com lançamento previsto para agosto, busca abrir novas rotas para 2,4 mil empresas nacionais vinculadas a 57 setores produtivos distintos.
A estratégia ganha urgência após a decisão do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre diversos bens brasileiros. O governo norte-americano fundamentou a medida em alegações de práticas comerciais desleais — argumento rebatido por Brasília como uma manobra de natureza estritamente política, cobrada após exigências de abertura de mercado sem contrapartidas equilibradas.
Os números refletem a tensão: os itens atingidos somaram US$ 7,2 bilhões em exportações no ano passado. Embora o total vendido aos EUA tenha atingido US$ 38 bilhões em 2025, o impacto das tarifas já era sentido antes do agravamento, com uma queda de US$ 2,6 bilhões no primeiro semestre deste ano. Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, aponta que o foco agora não é apenas expandir, mas diversificar radicalmente o destino dessas mercadorias.
Novos horizontes comerciais
O radar da agência aponta para mercados com taxas de expansão econômica elevadas. A lista de prioridades inclui os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Tailândia, Indonésia, Vietnã e Malásia. O bloco da União Europeia, impulsionado pelas tratativas com o Mercosul, também é visto como um pilar central, ao lado de nações da Ásia Central, a exemplo do Uzbequistão e Cazaquistão. “São países que crescem entre 7% e 8% ao ano, possuem populações jovens e demandam exatamente o que o Brasil produz”, observou Müller em entrevista na última sexta-feira (17).
O executivo reforçou que o movimento de redução de dependência não parte do zero. Entre junho de 2025 e maio de 2026, cerca de 72% das empresas exportadoras apoiadas pela agência já haviam incluído pelo menos um novo destino internacional em suas operações. Em paralelo à perda de força no mercado estadunidense, o Brasil compensou parte do volume com vendas maiores para a China, com um salto de US$ 10,5 bilhões, além de avanços de US$ 3,1 bilhões na Europa e US$ 2,5 bilhões na Índia.
Complexidade e resiliência
Nem todo mercado responde da mesma forma. Enquanto alguns setores conseguem migrar rapidamente, outros exigem um trabalho de prospecção detalhado. “Em certos casos, precisamos literalmente criar a demanda, mostrando a parceiros como o chinês as especificidades de produtos brasileiros, como rochas ornamentais”, detalhou o presidente da agência.
Apesar da retração pontual no comércio com os EUA, o Brasil mantém um fluxo robusto de capital estrangeiro. No ano passado, o país atraiu US$ 77 bilhões em investimentos, alcançando a marca de quinto maior receptor global. Enquanto o mercado de economias em desenvolvimento cresceu apenas 2% na atração de aportes, o Brasil registrou um avanço de 22%, consolidando-se como o principal destino de investimentos chineses, um cenário que o órgão pretende manter mesmo sob pressão protecionista externa.










