Ancara, Turquia – O frágil entendimento diplomático entre Washington e Teerã desmoronou menos de um mês após sua assinatura. O pacto, selado em 17 de junho com a promessa de encerrar de forma permanente qualquer hostilidade militar, foi substituído por uma retórica de guerra. Agora, o cenário é de confronto direto, com a República Islâmica do Irã emitindo alertas sobre o possível fechamento do Estreito de Ormuz para todo o tráfego marítimo.
A situação escalou rapidamente nesta quarta-feira, dia 8. Donald Trump, durante sua participação na cúpula da OTAN em Ancara, na Turquia, decretou o fim definitivo das tratativas. A frase foi curta, sem margem para diplomacia: “Não quero lidar com eles”. O posicionamento do presidente estadunidense sela o encerramento do memorando que, semanas antes, garantia a cessação de operações militares em todas as frentes entre as duas nações.
Do outro lado da mesa, o tom é de acusação. Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, apontou os Estados Unidos como responsáveis pela violação das cláusulas de paz. O estopim para a retomada do estado beligerante, segundo o governo iraniano, foram investidas militares dos EUA contra instalações costeiras e áreas civis nas províncias de Hormozgan, no sul do país, e em Mahshahr, no Khuzistão.
A resposta do Irã não se limitou a palavras. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) confirmou uma ofensiva massiva utilizando mísseis e drones contra 85 alvos militares ligados aos Estados Unidos, concentrados principalmente no Bahrein e no Kuwait. O alcance da investida atingiu locais estratégicos, como as instalações no Porto Salman — sede da Quinta Frota dos EUA no Bahrein — e a Base Aérea de Ali Al Salem, em solo kuwaitiano.
A possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz eleva a tensão para um patamar global, dado o peso do corredor para o transporte de energia e mercadorias. Enquanto o governo iraniano promete dobrar a força de suas futuras retaliações, o clima entre as potências é de incerteza sobre qual será o próximo movimento em uma região já marcada por sucessivos episódios de violência. O cessar-fogo, que deveria marcar um novo período de estabilidade, tornou-se, na prática, uma nota de rodapé no conflito que volta a dominar o Golfo Pérsico.










