Nova Jersey, Estados Unidos – O confronto deste domingo, às 17h, em Nova Jersey, vale muito mais do que a vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. Diante da Noruega, a seleção brasileira entra em campo disposta a derrubar duas marcas incômodas: o tabu de nunca ter vencido os escandinavos e o longo jejum contra europeus em fases eliminatórias de Mundiais.
Os noruegueses ostentam uma marca única no futebol mundial como o único adversário que o Brasil enfrentou e jamais conseguiu derrotar. Ao todo, foram quatro exibições históricas, com dois empates e duas derrotas brasileiras. O capítulo inicial ocorreu em julho de 1988, em Oslo, com empate por 1 a 1 — gols de Jan Age Fjortoft e Edmar. Sob comando de Carlos Alberto Silva, aquela equipe contava com os futuros tetracampeões Taffarel, Jorginho e Romário, enquanto o lado nórdico trazia os pais dos atuais jogadores Kristian Thorstvedt e Alexander Sorloth.
Quase uma década depois, em maio de 1997, os times voltaram a se encontrar no mesmo palco. Mesmo com Ronaldo e Romário no ataque e embalado por 42 meses de invencibilidade, o Brasil de Zagallo perdeu por 4 a 2. Petter Rudi, Egil Ostenstad e Tore André Flo (duas vezes) marcaram para os donos da casa. A escalação norueguesa tinha Alf-Inge Haaland, pai do astro Erling Haaland, e Stale Solbakken, atual técnico do país.
O terceiro embate foi no Mundial de 1998, na França. Em Marselha, o Brasil largou na frente com Bebeto, mas cedeu a virada por 2 a 1 após gols de Flo e Kjetil Rekdal, este em cobrança de pênalti cometido por Júnior Baiano. O encontro mais recente ocorreu em agosto de 2006, na estreia do técnico Dunga: outro empate por 1 a 1 em Oslo, com gols de Morten Pedersen e Daniel Carvalho. Para o lateral Douglas Santos, o retrospecto deve servir de combustível para mudar a história.
Fantasmas europeus
Superar a Noruega também significa encerrar um incômodo jejum contra seleções da Europa em mata-matas, que persiste desde a final de 2002, quando o Brasil bateu a Alemanha por 2 a 0 em Yokohama. De lá para cá, foram cinco eliminações seguidas para rivais do continente.
A série começou em 2006, com a derrota por 1 a 0 para a França de Zidane e Thierry Henry em Frankfurt. Em 2010, a Holanda eliminou os comandados de Dunga por 2 a 1 em Port Elizabeth, num jogo marcado pela expulsão de Felipe Melo e gols de Robinho e Wesley Sneijder. Em 2014, veio o doloroso 7 a 1 para a Alemanha no Mineirão, com gols de Kroos, Khedira, Müller, Klose e Schürrle, enquanto Oscar descontou.
Sob o comando de Tite, o Brasil caiu para a Bélgica por 2 a 1 em Kazan, em 2018. O drama mais recente ocorreu no Catar, em 2022, diante da Croácia: empate na prorrogação com gols de Neymar e Petkovic, seguido por queda nos pênaltis por 4 a 2, sacramentada pelo erro do zagueiro Marquinhos. O atacante Matheus Cunha ressalta que o foco do grupo está em reescrever o destino e evitar os erros do passado.









