Miami, Estados Unidos – O sucesso do Brasil na estreia contra a Escócia, um placar de 3 a 0, não passou apenas pelos pés talentosos do ataque. O início do triunfo, na última quarta-feira (24), em Miami, nasceu de uma postura que Carlo Ancelotti exige à exaustão: a aplicação defensiva dos jogadores de frente. Foi Rayan, ao antecipar uma falha do zagueiro Scott McKenna, quem serviu Vinícius Júnior para inaugurar o marcador.
Aos 19 anos, o jogador do Bournemouth já entrava em campo carregando uma marca de relevância. Ele se tornou o mais jovem titular brasileiro em Mundiais desde Marco Antônio, em 1970. Além disso, ao oferecer a assistência para o gol, quebrou um jejum de quatro décadas, sendo o mais novo a realizar o feito em uma Copa desde Müller, em 1986.
Em conversa com jornalistas nesta sexta-feira (26), no hotel da delegação em Nova Jersey, o atacante explicou que a insistência do treinador na recomposição sem bola é o segredo do atual ciclo. “Primeiro marcar, depois jogar”, resumiu o camisa 26, que agora volta suas atenções para o confronto decisivo contra o Japão, válido pelos 16 avos de final, marcado para segunda-feira (29), às 14h, em Houston.
Questionado por um repórter japonês sobre os riscos que o adversário oferece, Rayan demonstrou tranquilidade e bom humor. Com um sorriso, confessou que os detalhes sobre o oponente ainda serão destrinchados nos vídeos de análise, reforçando que o foco do elenco é estritamente no próprio desempenho.
A maturidade tática, segundo o atleta, é fruto de uma trajetória guiada por mentores. Fernando Diniz, que comandou sua ascensão no Vasco em 2025 — onde atingiu a marca de 20 gols em uma temporada, feito inédito para um formado na base cruzmaltina desde Edmundo —, é citado como uma figura paterna. Rayan também reservou espaço para agradecer a Andoni Iraola, técnico no Bournemouth, que o preparou para a exigência do futebol inglês e da seleção.
O jogador, nascido e criado na Barreira do Vasco, ao lado de São Januário, mantém os pés fincados na origem. O filho de Valkmar, que há pouco tempo entregava materiais gráficos nas ruas, hoje celebra a oportunidade de buscar o hexacampeonato. “Lembro do sofrimento lá atrás. É um orgulho imenso estar aqui, entre tantos nomes que honraram essa camisa”, disse, ciente de que o momento exige o máximo aproveitamento.










