Guarapari (ES) – A comerciante Débora Leitão, residente em São Paulo, enfrentou o dilema comum de quem precisa substituir um item essencial: o que fazer com uma geladeira que parou de funcionar e não oferecia reparo? Antes mesmo de receber o novo aparelho, a dúvida sobre o destino do equipamento antigo surgiu. A surpresa veio ao descobrir que a solução para o problema de mais de 30 quilos estava a poucos cliques de distância, acessível por meio de uma plataforma digital de coleta gratuita.
O processo foi célere. Após realizar um cadastro online, a equipe de logística contatou a moradora e agendou a retirada do produto em sua residência. A eficiência da operação, que antes parecia um obstáculo burocrático, tornou-se um exemplo de como a tecnologia pode ser aplicada para resolver gargalos ambientais urbanos.
Por trás dessa facilidade, atua a Circular Brain, empresa que desenvolveu uma plataforma para conectar consumidores, fabricantes e o setor de reciclagem. O objetivo é superar o entrave da logística reversa, exigida por lei, e transformar o que seria lixo em matéria-prima reinserida na cadeia produtiva. Segundo o cofundador Marcello Fornari, a estratégia aproxima as marcas de seus clientes e garante o retorno de materiais que, historicamente, terminariam em terrenos baldios ou aterros sanitários.
A governança desse ecossistema ocorre em escala nacional. A plataforma coordena uma rede capilarizada de parceiros — desde pequenas empresas de reciclagem até grandes indústrias — que recebem treinamento e auditorias constantes. Em regiões remotas, como o Rio Grande do Norte, o trabalho inclui até o auxílio na qualificação técnica de operadores locais, permitindo que cumpram os rigorosos padrões da indústria.
Os números refletem o alcance dessa estrutura. Em 2025, o sistema processou 80 mil toneladas de materiais, sendo 500 toneladas provenientes especificamente do programa de coleta domiciliar e empresarial, que realizou mais de 12 mil visitas. Cada item coletado passa por um rastreamento rigoroso, assegurando que o descarte siga o caminho correto desde a porta do consumidor.
Para quem deseja utilizar o serviço, a dinâmica é direta: basta acessar o portal, inserir o CEP, descrever o objeto e agendar a data. Uma equipe entra em contato para confirmar a coleta em um prazo máximo de dez dias úteis. A iniciativa prova que, com a governança adequada, a responsabilidade compartilhada entre mercado e sociedade deixa de ser apenas uma obrigação legal para se converter em um modelo viável de sustentabilidade urbana.












